PERTURBAÇÃO DO ESPECTRO DO AUTISMO: Importância da intervenção precoce

Nos últimos anos, têm surgido várias abordagens e filosofias para compreender e tratar o
autismo, desde que esta condição foi identificada. As abordagens educativas atuais visam
melhorar o desempenho e as capacidades individuais das crianças autistas, bem como,
promover a sua adaptação ao ambiente. É neste contexto que surge a Intervenção Precoce.

A Intervenção Precoce é uma forma de estimulação para o desenvolvimento da criança com
autismo, que consiste em atuar sobre os sintomas iniciais da condição para evitar que estes
tornem-se irreversíveis e mais difíceis de tratar.

O diagnóstico precoce é fundamental para garantir que as crianças recebam intervenção o
mais cedo possível. O ideal seria uma criança com autismo ser identificada antes dos três
anos de idade. Na prática, os estudos científicos mostram que a consulta com um especialista
em Desenvolvimento só ocorre mais tarde, e que o diagnóstico é muitas vezes feito apenas aos
cinco anos de idade. Entretanto, pesquisas apontam que quanto mais cedo se iniciar o
processo de Intervenção, ou seja, sendo sujeita a um processo de Intervenção Precoce
eficiente e aplicado desde cedo, apresentará melhores resultados, a qual vai ajudar a criança a
minimizar ou até mesmo superar as suas dificuldades, que são sobretudo a nível da
socialização, comunicação e autonomia.

  • Melhorar as capacidades de comunicação: As crianças com autismo constituem grande parte dos casos acompanhados em Terapia da Fala. Estas podem apresentar alteração na linguagem pré-verbal e verbal, além de dificuldades nas capacidades de comunicação funcional em situações sociais comuns, o que interfere na interação com os outros. As sessões de terapias da fala, ajudam essas crianças a desenvolverem capacidades de comunicação, incluindo a fala, linguagem e comunicação não verbal, desde a promoção da intencionalidade, da alternância de turno, a atenção compartilhada e das capacidades de iniciação. Os deficits em comunicação e linguagem são abordados através da terapia da linguagem sócio pragmática que enfatiza o uso funcional das habilidades pré-verbais e verbais de comunicação nas interações naturais e semiestruturadas. Inclui estratégias para o uso de sistemas de comunicação não verbais como imagens simbólicas.
  • Promover interações sociais: as crianças com autismo muitas vezes têm dificuldades
    em interagir socialmente. As terapias precoces visam ensinar capacidades sociais
    básicas como fazer contacto visual, compartilhar brinquedos e entender as emoções
    dos outros. Essas capacidades são essenciais para construir relacionamentos e facilitar
    a sua integração em ambientes sociais como creches, escolas e comunidades.
  • Reduzir comportamentos negativos: muitas dessas crianças exibem comportamentos
    desafiantes, como birras, agressão e autoestimulação. As terapias de intervenção
    precoce ajudam a identificar as causas desses comportamentos e ensinam estratégias
    para lidar com eles de maneira mais adaptativa. Isso não apenas melhora o bem estar
    da criança, mas também reduz o estresse para a família e cuidadores.
  • Maximizar o potencial de desenvolvimento: a plasticidade cerebral é maior durante
    os primeiros anos de vida, o cérebro está em um estágio crucial de desenvolvimento.
    Portanto, intervenções precoces têm o potencial de influenciar positivamente o
    desenvolvimento cognitivo, emocional e comportamental da criança. Quanto mais
    cedo a intervenção começar, maiores serão os benefícios a longo prazo. Por isso é
    fundamental promover o acesso a essas terapias e aumentar a consciencialização
    sobre a importância da intervenção precoce para crianças com autismo. Essa
    abordagem tem o potencial de fazer diferença significativa na vida dessas crianças e
    suas famílias.

As crianças com autismo merecem as mesmas oportunidades que aquelas sem alterações de
desenvolvimento, em vez de verem seu futuro comprometido. Acreditamos firmemente que
essas crianças podem encontrar a felicidade, contudo, reconhecemos que isso depende do
compromisso de todos os envolvidos no processo de ensino/aprendizagem. É por isso, que
destacamos a extrema importância da Intervenção Precoce para essas crianças, pois,
possibilita o desenvolvimento das áreas que necessitam de apoio desde cedo. A Intervenção
Precoce é uma “ferramenta” que, quando aplicada em tenra idade, incentiva as crianças a
progredirem tanto a nível pessoal, como a nível académico. Para que essa intervenção seja
eficaz, é essencial a colaboração dos pais, que devem dar continuidade ao trabalho dos
profissionais especializados.

A divulgação de informações sobre programas de Intervenção Precoce é crucial, pois, muitos
pais desconhecem a sua existência, o que pode resultar na não aplicação desses programas em
algumas crianças. Um ambiente acolhedor e estimulante, aliado a uma intervenção precoce e
a uma educação íntegra, desempenham um papel fundamental e positivo no desenvolvimento
global da criança.

Referências bibliográficas

Correia, N. C. (2011). A importância da intervenção precoce para as crianças com autismo na perspectiva
dos educadores e professores de educação especial.

Landa, R. J (2018) Efficacy of early interventions for infants and young children with, and at risk for,
autism spectrum disorders. Int Rev Psychiatry. February; 30(1): 25–39.
doi:10.1080/09540261.2018.1432574.

Lima, C. (2012). Perturbações do espectro do autismo: Manual prático de intervenção. Lousã: Lidel,
edições técnicas, Lda.

National Autism Center’s (2011). Evidence-Based Practice and Autism in the Schools: a guide to
providing appropriate interventions to students with autism spectrum disorders. Massachusetts.

Carla Delgado, terapeuta da fala C-069967172

Sobre o Autor

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A clínica conta com uma equipa de especialistas em diversas áreas interdisciplinares liderada pelo Dr. Lázaro Álvarez, neurologista e neurocientista com mais de 30 anos de experiência.

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