Alterações Motoras e Sensoriais na PHDA

A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma das perturbações de neurodesenvolvimento mais frequentes em idade escolar, mas também se pode manifestar em adultos. Esta pode apresentar-se sob três formas: predominantemente de desatenção, predominantemente impulsividade/ hiperatividade e subtipo combinado.

Apesar do grande impacto nas atividades diárias, sucesso académico e autoestima, as alterações motoras e o processamento sensorial atípico na PHDA têm tido pouco destaque e não se incluem nos critérios de diagnóstico e classificação.

Alterações Motoras:

As alterações motoras estão presentes em cerca de 50% das crianças com PHDA e estas podem apresentar um atraso de até 2 anos no desenvolvimento motor (Hyde et al., 2020). A desatenção, impulsividade e a hiperatividade características da PHDA provocam alterações tanto ao nível da motricidade fina como da motricidade global, correspondendo a dificuldades no controlo motor, coordenação, planeamento motor, velocidade de execução, equilíbrio, esquema corporal, organização espacial, motricidade fina e escrita.

A motricidade fina define-se como a coordenação dos músculos, ossos e nervos para produzir movimentos pequenos e exatos. As competências de motricidade fina são importantes para realizar tarefas do dia-a-dia como usar a tesoura, desenhar, escrever, abotoar, fazer nós, agarrar objetos, entre outras. Por sua vez, as dificuldades na motricidade fina têm impacto no desempenho académico, na prática de desportos, jogos e na autoestima, representando uma grande influência no desenvolvimento da criança e conduzindo a competências de comunicação pobres, reduzida interação social e fraca participação e desempenho nas atividades da vida diária. Assim, a motricidade fina representa um maior desafio para as crianças e adolescentes com PHDA.

A escrita é uma importante atividade da vida diária que exige motricidade fina. Sendo esta a área motora mais disfuncional em crianças e adolescentes com PHDA (Lelong et al., 2021). As crianças com PHDA podem apresentar uma escrita ilegível, imprecisa, ineficiente, com tamanho inconsistente e desproporcional e com erros grafonómicos como inserções e omissões. A nível motor, realizam uma grande pressão no lápis que origina dor na mão e ombro, assim como fadiga, tendo como consequência a recusa em realizar atividades que envolvam escrita. A velocidade de escrita e o controlo do traço também se encontram diminuídos. Estando a PHDA, por vezes, em comorbilidade com a Disgrafia.

As dificuldades na escrita tendem a diminuir com a idade, mas permanecem na adolescência e idade adulta se não forem corrigidas.

Alterações Sensoriais:

Algumas crianças com PHDA podem apresentar dificuldades no processamento sensorial e nas respostas de regulação com base sensorial. Estas respostas sensoriais atípicas como a reação exagerada a um estímulo externo são explicadas pelas características de personalidade (hipersensibilidade) ou pela presença de uma perturbação neurológica, a Disfunção do Processamento Sensorial (Koziol & Budding, 2012; Lane & Reynolds, 2019).

A Disfunção da Modulação do Processamento Sensorial é um tipo de disfunção do processamento sensorial comum nas crianças com PHDA. Esta é caracterizada pela incapacidade de responder aos estímulos sensoriais do ambiente de uma forma a que corresponda às exigências do estímulo e tem três subtipos: a hiperresponsividade sensorial, a hiporresponsividade sensorial e a procura sensorial. Na PHDA encontra-se maioritariamente presente o subtipo Hiperresponsividade com incidência no sistema Tátil (e.g. evitar texturas e rigidez no tecido das roupas a usar), Auditiva (e.g. tapar os ouvidos em ambientes barulhentos), Visual (e.g. evitar estar numa sala com muita luz), Olfativo (e.g. incomodar-se com odores fortes) e Vestibular (e.g. recusar andar de baloiço), este último também com implicações no equilíbrio e controlo postural. Esta ocorre porque o cérebro fica sobrecarregado com a informação que recebe dos estímulos sensoriais e como o cérebro da criança ainda se encontra em desenvolvimento, ainda não aprendeu por completo como modelar esses estímulos.

Na PHDA, as alterações na modulação sensorial estão fortemente correlacionadas com os comportamentos desadequados em diferentes contextos como na escola, em casa e na comunidade, assim como com o insucesso escolar e o desempenho cognitivo (Koziol & Budding, 2012).

O diagnóstico precoce da disfunção de integração sensorial e a intervenção têm um papel importante nas melhorias de desempenho das crianças com PHDA. A avaliação das competências sensoriomotoras por um Terapeuta Ocupacional é sugerida para prever as dificuldades no desempenho académico (Koziol & Budding, 2012; Ianni et al., 2020).

A intervenção da Terapia Ocupacional na PHDA tem como foco as competências motoras e de escrita, o processamento sensorial e a participação e desempenho nas atividades escolares/profissionais (Ianni et al., 2020).

Contudo, a avaliação e intervenção na PHDA deverão ser realizadas por uma equipa multidisciplinar, sendo esta a abordagem do Programa NeuroLearning.

"Somos Pais de uma Linda Princesa que, com muito sucesso, está a recuperar do atraso cognitivo e da fala. O dicionário não tem palavras suficientes para agradecer a luz que o Dr. Lazaro e a sua equipa nos tem dado, em especial o programa neuro-Learning, que tem estimulado o desenvolvimento cognitivo e todos os dias notamos a fantástica diferença. Em 5 meses, a nossa Princesa evoluiu de uma maneira fantástica. O nosso infinito obrigada, por nos encherem o coração de esperança e felicidade ❤️ "

Pais de Mayra

Referências Bibliográficas:

Ghanizadeh, A. (2011). Sensory Processing Problems in Children with ADHD, a Systematic Review. Psychiatry Investigation, 8(2), 89–. doi:10.4306/pi.2011.8.2.89

Hyde, C.; Fuelscher, I.; Sciberras, E.; Efron, D.; Anderson, V. A.; Silk, T. (2020). Understanding motor difficulties in children with ADHD: A fixel-based analysis of the corticospinal tract. Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry, (), 110125–. doi:10.1016/j.pnpbp.2020.110125

Koziol, L. F., & Budding, D. (2012). ADHD and Sensory Processing Disorders: Placing the Diagnostic Issues in Context. Applied Neuropsychology: Child, 1(2), 137–144. doi:10.1080/21622965.2012.709422

Lane, S. J.; Reynolds, S. (2019). Sensory Over-Responsivity as an Added Dimension in ADHD. Frontiers in Integrative Neuroscience, 13(), 40–. doi:10.3389/fnint.2019.00040

Lelong, M., Zysset, A., Nievergelt, M. et al. How effective is fine motor training in children with ADHD? A scoping review. BMC Pediatr 21, 490 (2021). https://doi.org/10.1186/s12887- 021-02916-5

Ianni, L.; Mazer, B.; Thomas, A.; Snider, L. (2020). The Role of Occupational Therapy with Children with Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD): A Canadian National Survey. Journal of Occupational Therapy, Schools, & Early Intervention, (), 1–22. doi:10.1080/19411243.2020.1822259

Sobre o Autor

A NeuroVida é uma instituição médica de neurologia e neurociências, pioneira em Portugal, que presta atenção integrada e interdisciplinar de cuidados a doentes do foro neurológico e neuropsiquiátrico. 

A clínica conta com uma equipa de especialistas em diversas áreas interdisciplinares liderada pelo Dr. Lázaro Álvarez, neurologista e neurocientista com mais de 30 anos de experiência.

Se quiser saber mais sobre a clínica ou a sua equipa médica, recomendamos-lhe que visite o nosso site oficial.

Ver mais: crianças, défice de atençao, dificuldades de aprendizagem, hiperactividade, neurolearning, phda