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Treino Cognitivo Computorizado nas Dificuldades de Aprendizagem

Um dos grandes desafios do século XXI tem sido motivar as crianças e jovens para a aprendizagem, o treino cognitivo não é exceção. Quando falamos de alunos com dificuldades de aprendizagem, com alterações ao nível da perceção visual, atenção, memória e/ou funcionamento executivo, acresce a importância do fator motivacional, uma vez que é característico destas crianças resistirem a tarefas que lhe sejam mais custosas, assim como é comum que tenham já alguns problemas ao nível emocional e comportamental, que muitas vezes prejudicam o seu empenho e o decorrer harmonioso e proveitoso das sessões de estimulação. A motivação das crianças e jovens durante o treino cognitivo depende de diversos fatores, como a atratividade/monotonia da tarefa, a qualidade dos estímulos, o respeito pela individualidade e pelos gostos de cada um e a relação com quem os acompanha, e cabe ao técnico não só possuir características pessoais e profissionais que permitam promover a eficácia do treino em si, como os instrumentos mais adequados e comprovadamente eficazes para a estimulação das funções cognitivas em crianças e jovens.

A utilização das novas tecnologias, nomeadamente de programas de software que permitem uma intervenção computorizada, dota o técnico de ferramentas eficazes e vantajosas para a promoção do desenvolvimento cognitivo. Estes programas permitem a prática estruturada e repetida de tarefas relacionadas com as funções cognitivas alvo, através de atividades mais dinâmicas e estimulantes do que as tradicionais, utilizando um meio com que as crianças das gerações mais recentes se identificam mais: os computadores.

A estimulação cognitiva computorizada apresenta várias vantagens, quer seja ao nível da promoção da motivação, através não só do meio de interação com o estímulo, como através do feedback automático e imediato que os programas de treino cognitivo computorizados permite, quer seja ao nível do controlo que o técnico dispõe sobre a própria tarefa (conteúdos e forma de apresentação dos exercícios, ajuste de níveis de dificuldade, número de repetições, etc…), e da ferramenta acrescida de registo e análise que permite a monitorização do desempenho de cada um e o ajuste constante do plano terapêutico e dos exercícios às necessidades de cada um.  

Várias investigações demonstram a eficácia dos programas de intervenção computorizada no treino nas funções neurocognitivas (Dovis et al., 2015; Fraser & Cockcroft, 2019, Karch, et al., 2013, Wegrzyn et al., 2015,). Estes programas apresentam eficácia comprovada em crianças e jovens com alterações cognitivas decorrentes de perturbações de desenvolvimento como a dislexia (Lofti et al, 2020), a perturbação de défice de atenção e hiperatividade (Amonn et al., 2013, Karch, et al., 2013), ou crianças com autismo e perturbação do desenvolvimento intelectual que, ainda que demorem mais tempo a concluir os programas de treino do que as crianças sem este tipo de problemáticas, revelaram resultados bastante positivos com a utilização do treino cognitivo computorizado(Benyakorn et al, 2018). Estas intervenções são ainda eficazes no tratamento de outras causas de alterações cognitivas na infância e adolescência como sejam as doenças oncológicas que tiveram tratamento dirigido ao SNC (Conklin et al., 2015), a neurofibromatose tipo 1 (Yoncheva et al 2017) ou os traumatismos crânio-encefálicos (Verhelst et al., 2019).

Este tipo de intervenção é igualmente recomendado para aqueles que, sem qualquer patologia ou perturbação, apresentem dificuldades em áreas cognitivas como é o caso da memória de trabalho (Pumaccahua, Wong & Wiest, 2017).

No Neurolearning, utilizamos um programa Rehacom®: um sistema informático para o treino de funções cognitivas, cientificamente testado e com eficácia comprovada, utilizado amplamente como resposta à diminuição de funções cognitivas, permitindo a sua aquisição/desenvolvimento, assim como o desenvolvimento de estratégias compensatórias que permitam minimizar o impacto que estas dificuldades têm no quotidiano dos pacientes. 

Este sistema possui determinadas características que o tornam a escolha principal no que diz respeito a este tipo de intervenção, uma vez que possui uma estrutura modular, que permite: a seleção das tarefas (módulos) adequados para cada criança e para cada problemática, consoante a necessidade e o nível de complexidade pretendido; a continuidade das tarefas no grau de dificuldade onde terminou na sessão anteriormente (ou num que o técnico decida ser o melhor para a criança conforme o seu desempenho); o controlo e seleção não só do nível onde a criança vai iniciar a sua sessão como de outros parâmetros (ex. número de ensaios, tipo de estímulo de apresentação e de resposta, velocidade, tempo máximo de resposta, etc…); automaticidade e adaptabilidade que permite o ajuste automático ao desempenho da criança, levando a maior motivação e menor frustração; permite o feedback constante e imediato do desempenho dos alunos, aumentando a autoestima e promovendo a automonitorização. Uma vez que o Neurolearning é desenvolvido com crianças de diversas nacionalidades e estabelece parcerias com múltiplas escolas internacionais, a estrutura multilingue deste programa permite trabalhar na língua materna da criança ou na sua língua de ensino, conforme o que for considerado mais adequado dependendo da faixa de desenvolvimento e das necessidades de cada um. 

Em suma, o treino cognitivo computorizado recorrendo a softwares com eficácia cientifica comprovada, permite um acompanhamento eficaz e motivador das crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem, utilizando um meio que já lhes é familiar e apelativo.