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Reabilitação motora em AVC com ARMEO

Estima-se que menos de 20% dos doentes com AVC recuperam a mobilidade funcional dos membros paréticos na reabilitação durante a fase aguda, o que se traduz numa perda da função do braço em duas a cada três pessoas com AVC em fase crónica, tornando-se assim a sequela motora mais prevalente e incapacitante da doença.

Nos últimos anos, os investigadores realizaram revisões sistemáticas das intervenções terapêuticas e uma multiplicidade de pesquisas para determinar a melhor intervenção terapêutica de forma a recuperar a mobilidade do braço.

No artigo de hoje, vamos abordar a tecnologia conhecida como ARMEO ou braço robótico, desenvolvida a partir da experiência das melhores clínicas do mundo para o tratamento de pacientes com AVC em estado crónico.

Deixamos-lhe alguns links úteis para facilitar a leitura do artigo:

  1. ARMEO: O que é o braço robótico?
  2. O que esperar deste tratamento? A nossa experiência na Clínica Neurovida
  3. Que pacientes podem beneficiar mais?

ARMEO: Em que consiste o braço robótico?

Desde os anos 90, a ideia do treino assistido por robô começou a ser desenvolvida para melhorar a amplitude de movimento e a força do braço em pacientes que sofreram AVC, bem como para reduzir sinergias musculares patológicas e promover as actividades da vida diária que dependem de uma maior funcionalidade do braço afectado.

Entre 2019 e 2020, a robótica tem sido utilizada com sucesso nestes pacientes. Têm vindo a ser implementandas melhorias no sistema para permitir a criação de um feedback do próprio tratamento, adaptando o robô às necessidades do indivíduo e concentrando-se nas áreas mais fracas.

Estas descobertas significaram um antes e um depois para doentes e especialistas, permitindo aos terapeutas desenvolver tratamentos muito mais personalizados e obter resultados de melhoria consideráveis em estados crónicos.

Mas, em que consiste realmente esta tecnologia?

O ARMEO (ou braço robótico) consiste num exoesqueleto composto por 3 partes: um suporte de braço superior, um suporte de antebraço inferior e uma pega sensível à pressão. Este sistema é acompanhado por um software interactivo que fornece informação visual sobre a precisão e amplitude do movimento a ser realizado, permitindo ao terapeuta corrigir erros e melhorar a eficiência do movimento em formação, facilitando a aprendizagem da tarefa.

À medida que o paciente vai realizando exercícios, o robô aprende sobre o movimento e determina as dificuldades. Depois, por si só, adapta-se para permitir ao paciente terminar os movimentos com pouco esforço, e à medida que repete o exercício, a ajuda vai diminuindo gradualmente.

Os principais benefícios do tratamento com tecnologias robóticas são:

  • Permitir movimentos planos passivos, activos e activos-assistidos das articulações do ombro e do cotovelo;
  • Facilitar a flexão passiva, activa e activa-assistida e a extensão dos dedos;
  • Assegurar movimentos tridimensionais não assistidos das articulações do ombro, cotovelo e punho, tanto uni como bimanual;
  • Possuir um sistema electromecânico que permite movimentos de articulação do ombro compensados por gravidade.
  • Ser capaz de tratar a extremidade superior de uma forma global (do ombro para a mão).

O que esperar deste tratamento?

Uma recente revisão de 6 ensaios clínicos, incluindo mais de 200 pacientes (Rev. Neurologia 2020:70 (3) 93-102), relatou melhorias na mobilidade do ombro e flexão do cotovelo, redução da espasticidade e limitações funcionais avaliadas por clinimetria específica (FMA-EU; MAS, WMF, MFT e FIM) em 5 dos 6 estudos. Também demonstrou uma melhoria na dor no ombro e na dinâmica do movimento dos braços avaliada através de vídeos.

Estas terapias “robóticas” são administradas sozinhas ou em combinação com outras terapias para melhorar a recuperação, como por exemplo, a estimulação transcraniana com correntes fracas (tDCS) ou com campos magnéticos (rTMS), a estimulação sensorial que usa a estimulação nervosa ou motora transcutânea (TENS), e a estimulação eléctrica funcional neuromuscular (FES ou NMES), entre outras técnicas.

Na Neurovida temos vindo a utilizar esta tecnologia (ARMEO) desde 2019, geralmente combinando a sua utilização com outras técnicas: terapia de restrição e do espelho, terapia bimanual, estimulação cerebral não-invasiva, estimulação periférica funcional, entre outras.

Com o Armeo, ao comparar os protocolos de avaliação e reavaliação, os pacientes têm vindo a obter um ganho do controlo de movimentos em todas as direções, ganho funcional de resistência muscular em isometria para manter o membro contra a gravidade e ganho de força para vencer resistência imposta pelo equipamento. Os pacientes têm aumentado a força muscular para realizar movimentos de abdução, adução, flexão e extensão de ombro, assim como diminuição do tempo de realização das tarefas diárias e aumento de força de preensão.

As sessões têm em média a duração de 20 a 30 minutos, com a frequência mínima de três vezes por semana. Sendo o treino idealmente realizado cinco vezes por semana para melhores resultados.

Com a experiência actual, podemos testemunhar que o ARMEO traz grandes benefícios à recuperação motora, funcionalidade e actividades da vida diária aos doentes pós AVC.

Que pacientes podem beneficiar mais?

Os pacientes que são candidatos a esta terapia, são pacientes com AVC agudo, subagudo ou crónico com hemiparesia ou hemiplegia com pelo menos uma semana de evolução desde o episódio. É realizado um protocolo de avaliação que inclui a Medida de Independência Funcional, o Teste de Funcionalidade de Jebsen Taylor e a avaliação que inclui no sistema.

Além dos exercícios funcionais, o sistema contém atividades especificamente desenhadas para avaliar a habilidade motora e a coordenação dos pacientes. Existem sensores dentro do aparelho que registam o movimento ativo do braço em cada articulação durante todas as sessões de terapia e as informações sobre o desempenho são armazenadas no computador, onde podem ser usadas para avaliar e documentar o progresso do paciente, para então determinar o próximo desafio e promover uma excelente terapia e os melhores resultados possíveis.

Além dos pacientes com AVC o Armeo Spring pode ser utilizado com pacientes com Esclerose múltipla, Parilisia Cerebral, Lesões da medula espinhal, Recuperação de intervenções neurocirúrgicas, Doença de Parkinson e outros distúrbios do movimento, Doenças musculares, Ataxia do membro superior, Fratura do Úmero e Neuropatias.

No entanto, graças a estudos recentes e à experiência adquirida na clínica Neurovida, acreditamos que a aplicação de uma abordagem mais abrangente pode melhorar drasticamente os resultados individuais das terapias obtidas com o ARMEO.

Nos artigos seguintes explicaremos as diferentes terapias, que juntamente com o tratamento do AVC, podem melhorar a condição dos pacientes com AVC em estado crónico.

Se tiver alguma dúvida sobre o tratamento do AVC ou se este o puder ajudar, pode contactar-nos através do formulário abaixo.