PHDA: Como intervir?

A Perturbação de Défice de Atenção e Hiperatividade (PHDA) é uma perturbação do neurodesenvolvimento com uma grande componente hereditária que afeta cerca de 5% das crianças e que envolve problemas de atenção, concentração com ou sem aumento dos níveis de atividade motora, cujas consequências e gravidade poderão resultar de uma interação entre fatores sociais, psicológicos e comportamentais com fatores neuroquímicos e neuropsicológicos.

Esta perturbação pode causar dificuldades graves na vida académica e profissional dos indivíduos, mesmo que a sua inteligência esteja dentro de parâmetros considerados normais. Acresce ainda o risco do desenvolvimento de dependência de substâncias, alcóol ou outras, acidentes e outras perturbações. Assim, considera-se de extrema importância o diagnóstico atempado da PHDA, assim como uma intervenção que permita mitigar os efeitos potencialmente nefastos dos défices por ela provocados.

O que causa a PHDA?

São múltiplas as causas da PHDA, mas pensa-se que possa ter uma base genética, dada a alta incidência de casos dentro da mesma família. No entanto, ainda não é possível identificar a alteração genética específica para se realizar o diagnóstico. A procura de um marcador genético causal é prioritária, mas só recentemente foram encontrados 12 marcadores no genoma associados à PHDA, que podem ajudar a compreender o substrato biológico do problema, o seu diagnóstico precoce e o desenho de tratamentos mais eficazes e seguros.

Clinicamente, a PHDA classifica-se em três subtipos: predominantemente desatento, predominantemente hiperativo/impulsivo e subtipo combinado, dependendo da apresentação sintomática. Os sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade devem observar-se pelo menos em dois contextos diferentes (ex. casa e escola), devem estar presentes durante pelo menos 6 meses e surgir antes dos 12 anos de idade.

Como pode a PHDA ser tratada?

Ainda que a PHDA não tenha cura, os seus sintomas e disfunção deles decorrentes podem ser geridos com o tratamento adequado. Apesar de o tratamento principal ser sintomático, o objetivo deverá ser sempre o funcionamento diário do indivíduo, seja qual for a base da intervenção.

O prognóstico das crianças com PHDA é amplamente influenciado pela adequação da abordagem utilizada no que diz respeito à intervenção, sendo necessário que seja criada uma aliança entre a criança, os pais, os professores e os técnicos de saúde envolvidos, para promover o sucesso da intervenção.

Atualmente, o tratamento mais comum é baseado na administração de estimulantes do sistema nervoso; no entanto, como ainda existem algumas incógnitas sobre as consequências a longo prazo do seu uso, estão a ser consideradas alternativas ao tratamento farmacológico.

As anfetaminas de ação curta ou longa e as formulações de metilfenidato (ingrediente ativo da Ritalina e outros medicamentos), que melhoram a concentração e reduzem a impulsividade ao aumentar os níveis de dopamina e noradrenalina no cérebro, são os mais utilizados. Mais recentemente, a atomoxetina, a clonidina e a guanfasina incluíram-se no arsenal farmacológico como medicação de segunda linha. Cerca de 80% das crianças com PHDA são tratados com medicamentos estimulantes, principalmente Ritalina, Concerta e Adderall (não disponível em Portugal).

O benefício dos psicoestimulantes para crianças dos 6 aos 12 anos durante um máximo de 24 meses está demonstrado, mas as preocupações sobre se estes medicamentos podem afetar o cérebro em desenvolvimento a longo prazo tem estimulado o desenvolvimento de outras opções, já que os dados sobre os efeitos secundários merecem alguma atenção. Os efeitos secundários mais significativos, como problemas de sono e perda de peso, observam-se com alguma frequência, sendo que também têm sido reportados em mais de 10% dos casos efeitos cardiovasculares, o que em 2% provoca a interrupção do tratamento.

Atualmente os treinos para atenção, terapias cognitivo-comportamentais e programas de treino parental para pais de crianças em idade pré-escolar com PHDA, consideram-se alternativas ou complementos potencialmente uteis.

No próximo post falaremos mais sobre as diferentes alternativas que foram desenvolvidas nos últimos anos para o tratamento da PHDA sem o uso de medicamentos.

Recomendamos que você conheça o programa NeuroLearning, que é dedicado às crianças com PHDA e é baseado nas mais recentes investigações e tecnologias.