Esclerose Múltipla: Estimulação Cerebral para o tratamento da fadiga

A fadiga é um sintoma comum a muitas doenças e distúrbios, mas é significativamente incapacitante em patologias do sistema nervoso (como a esclerose múltipla, por exemplo), além de estar frequentemente associada à depressão, dor neuropática crónica, fibromialgia, e outras alterações do sistema nervoso.

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Desta forma, tem sido promovida a hipótese de que a fadiga crónica pode ser a expressão de uma disfunção do Sistema Nervoso.

Fadiga associada à Esclerose Múltipla

Em relação à Esclerose Múltipla (EM), a fadiga é muito comum e frequentemente considerada o sintoma mais incapacitante, por ter um impacto dramático na qualidade de vida da pessoa. Por estas razões, nos últimos 20 anos, diversos estudos neurofisiológicos e de neuroimagen avaliaram a base patogénica da fadiga relacionada com a EM, encontrando evidências que sugerem que a disfunção numa via cortico-subcortical, centrada no tálamo, está envolvida na patogénese da fadiga.

Apesar de estarem disponíveis medicamentos como Fampiridina, Amantadina, Ondasentron, entre outros, a maioria não consegue reverter a fadiga a longo-prazo, além dos inúmeros efeitos colaterais associados.

Consequentemente, é necessário encontrar uma terapia alternativa que seja segura, fácil de implementar e eficaz. Estas propriedades parecem corresponder às das técnicas de estimulação cerebral não invasiva (ECNI), nomeadamente a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) e a estimulação magnética transcraniana (EMT).

O que revelam os estudos com técnicas de ECNI?

Recentemente, tem sido avaliado o efeito de diferentes técnicas de modulação da actividade cerebral no tratamento da fadiga crónica ligada à EM, com o objectivo de verificar se ajuda a melhorar a capacidade funcional, a autonomia e a qualidade de vida destes pacientes.

Uma revisão dos estudos publicados até ao final de fevereiro de 2017 sobre os efeitos das técnicas de ECNI sobre a fadiga, relata um impacto favorável sobre a fadiga em pacientes com EM.

Quanto aos últimos 2 anos, continuam a acumular-se mais evidências da eficácia da ECNI na melhoria da fadiga, com reduções estatisticamente significativas na intensidade da fadiga após estimulação transcraniana, com impacto na qualidade de vida percebida (p = 0,005).

ECNI: Técnicas seguras e eficazes

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Embora até à data não existam recomendações das agências reguladoras e, por consequência, este continue a ser um tratamento experimental, o nível de evidência para a eficácia de vários protocolos de ETCC ou EMT para a redução da fadiga na EM já é elevado.

Ou seja, procedimentos seguros, indolores e não-invasivos podem ser considerados em pacientes refratários à medicação regular.