Modulação da rede cerebral através da estimulação cerebral não-invasiva e neurofeedback em casos de AVC: Principais Benefícios – Parte 1

Apesar de existirem melhorias causadas pela reabilitação aguda no AVC, a maioria dos pacientes (> 75%) sofre défices de longa duração em múltiplos domínios (função motora, linguagem/fala, cognição, sensibilidade, etc) que comprometem seriamente a qualidade de vida, autonomia, integração social e profissional. Por este motivo, há uma forte necessidade de melhores estratégias de neuro-reabilitação.

As técnicas de modulação não-invasiva das redes cerebrais abriram novas oportunidades e perspectivas interessantes para a recuperação de pacientes com AVC. Novos tratamentos, como a estimulação cerebral não-invasiva e o neurofeedback, que visam directamente as consequências causadas pelo AVC nas redes cerebrais, têm mostrado sucesso moderado.

Os desenvolvimentos mais recentes ao nível dos estudos de neuroimagem permitem ainda observar de forma individual o estado da rede e como esta influencia a variabilidade da resposta ao tratamento. Assim, fornece modelos para a selecção de estratégias de tratamento que são ideais para cada paciente.

Os principais domínios que têm sido alvo da reabilitação pós-AVC são:

  • Comprometimento motor (incluindo disfagia e disartria)
  • Défice cognitivo
  • Dor

Intervenção no comprometimento motor

Vários estudos demonstram que a estimulação cerebral não-invasiva (nomeadamente os dois métodos mais utilizados: estimulação magnética transcraniana e estimulação transcraniana por corrente contínua) pode aumentar a excitabilidade cortical motora, a reorganização funcional, bem como os efeitos benéficos do treino motor.

Outra abordagem promissora para modular a conectividade cerebral é o neurofeedback, que se baseia na tecnologia de interfaces cérebro-computador (BCI), que permite monitorizar a actividade cerebral e gerar feedback em tempo real sobre as mudanças específicas nos padrões da actividade. O treino dos ritmos sensorio-motores melhora a conectividade do córtex motor, sendo este um importante marcador de recuperação.

No próximo artigo continuaremos a abordar este assunto, em específico no que concerne o défice cognitivo e a dor pós-AVC.

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