Estimulação cerebral não-invasiva: uma inovadora contribuição na terapia para a Gaguez

A interrupção da fluência verbal através de bloqueios, repetições e/ou prolongamentos, conhecida como gaguez, é uma condição que atinge aproximadamente 1% dos adultos e 5% das crianças. Esta perturbação da fluência, tão antiga como o Homem, não só limita a comunicação como pode ter um impacto muito negativo na qualidade de vida.

Avanços na compreensão das bases neuronais da Gaguez

Apesar do avanço no conhecimento relativamente à relação entre o cérebro e as perturbações da linguagem, a etiologia da gaguez ainda não é totalmente compreendida. No entanto, os últimos anos têm sido estimulantes, cada vez com mais evidências sobre as alterações anatómicas e funcionais que poderão explicar alguns dos sintomas observados em pessoas que gaguejam.

Algumas das hipóteses mais interessantes incluem a relação entre a gaguez e alterações estruturais e funcionais do córtex frontal e/ou as suas relações anatómicas com os gânglios da base – região do cérebro que tem sido alvo de particular interesse por parte dos investigadores nos últimos 10 anos, como uma das regiões mais importantes para compreender melhor a dinâmica da gaguez.

Com o avanço da ciência e da tecnologia, surge agora a oportunidade de modelar a atividade destas regiões frontais, com o objetivo de melhorar a gaguez, através de técnicas de estimulação cerebral não-invasiva.

Uma nova opção terapêutica promissora

Em 2018, foram realizadas investigações sobre a aplicação de estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS) combinada com Terapia da Fala, quer através da estimulação da região frontal inferior esquerda (Chester, 2018), quer através da inibição da região homóloga contralateral (Yada et al., 2018). Os resultados obtidos foram encorajadores e os próximos passos serão estudar a possibilidade de modelar simultaneamente as duas regiões através de tDCS e verificar o efeito sobre a fluência do discurso.

Uma outra possibilidade é a de estudar a importância do trato oblíquo, que conecta a área motora suplementar (AMS) com o giro frontal inferior (GFI). Com base no conhecimento atual, nomeadamente na redução da ativação do hemisfério esquerdo das pessoas que gaguejam durante a fala (atribuída à insuficiência na ativação da área motora suplementar esquerda), levanta-se a hipótese de que é possível reforçar a comunicação entre estas regiões (AMS e GFI) sincronizando-as através de estimulação transcraniana por corrente alternada (tACS).

Neste sentido, o Centro de Tratamento de Gaguez e a Clínica NeuroVida irão em breve realizar um estudo para definir o nível de eficácia e a possível utilização de estimulação transcraniana com correntes fracas na terapia para a Gaguez.