Estimulação cerebral não-invasiva na intervenção em Afasias Primárias Progressivas

As Afasias Progressivas Primárias (APP) são doenças neurodegenerativas caracterizadas por um comprometimento precoce, e relativamente isolado, da linguagem.

Existem 3 variantes clínicas, a variante semântica, a não-fluente/agramática, e a logopénica. Apesar dos problemas comuns a todas as variantes (má nomeação, vocabulário reduzido, dificuldades de compreensão, erros fonológicos e gramaticais, entre outros), cada uma com défices cognitivos/linguísticos específicos e características anatómicas correspondentes, o que sugere focos de reabilitação diferentes em cada caso.

As três variantes afectam a fala de maneiras diferentes:

  1. Afasia Semântica: com o tempo, as pessoas esquecem o significado das palavras e dos objectos
  2. Afasia Não-fluente progressiva: torna-se mais difícil falar e há mais propensão para cometer erros na maneira de dizer as palavras ou frases
  3. Afasia Logopénica: as pessoas fazem pausas no discurso enquanto tentam encontrar a palavra certa

A intervenção terapêutica na APP é, em geral, limitada, devido à natureza degenerativa da doença, à taxa variável de declínio, e à heterogeneidade inerente a cada variante. Contudo, a Terapia da Fala tem mostrado resultados encorajadores.

Tratamentos de recuperação de palavras demonstram potencial para nova aprendizagem lexical na Afasia semântica e logopénica e, um estudo recente, também demonstrou que a leitura de palavras multissilábicas é uma estratégia de intervenção em APP com resultados duradouros.

Por sua vez, outro tipo de tratamentos em estudo merecem ser considerados, tais como a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) – uma técnica inovadora que recentemente demonstrou poder melhorar conectividade funcional e a linguagem, mesmo em Afasia pós-AVC.

Num estudo recente com 36 doentes com APP, tratados com ETCC durante 15 sessões combinadas com treino de linguagem escrita, foram encontrados benefícios duradouros (follow-up 3 meses após cessar o tratamento) em pacientes com Afasia logopénica ou com Afasia não-fluente.

Aguardamos que os resultados deste, e outros estudos similares, sejam confirmados em novas investigações, a fim de recomendar este tipo de intervenção na prática clínica.