Estimulação Magnética Transcraniana na Doença de Alzheimer: Uma futura opção terapêutica promissora

O desafio do tratamento da Doença de Alzheimer (DA) tem sido abordado não apenas com estratégias farmacológicas, mas também com várias técnicas de treino cognitivo e de neuromodulação. Entre estas últimas, está a estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) que, através da plasticidade cortical, permite melhorar domínios específicos da cognição.

Alguns estudos relataram efeitos benéficos da EMTr sobre o córtex pré-frontal dorsolateral (DLPFC), que levaram a melhorias na cognição de pacientes com DA. Contudo, poucos estudos abordaram o possível impacto clínico no rendimento cognitivo, no controlo comportamental e na funcionalidade.

Assim sendo, vários cientistas investigaram o uso da EMTr em pacientes com DA e sugeriram uma tendência de melhoria em várias funções cognitivas (Elder & Taylor, 2014; Nardone et al., 2014; e Liao et al., 2015).

Mais recentemente, numa revisão de 2017 referente ao potencial terapêutico da EMTr em pacientes com DA leve a moderada, voltaram a observar-se melhorias no comportamento e na funcionalidade – efeitos que podem traduzir-se em benefícios para os pacientes nas suas actividades diárias e na sua capacidade de comunicação, melhorando assim a sua qualidade de vida.

Numa outra revisão publicada no passado mês de Outubro (2018), que incluiu cinco ensaios clínicos envolvendo 148 participantes, os resultados demonstraram que a EMTr de alta frequência estava associada a uma melhoria significativa na cognição – medida por ADAS-cog (MD = -3,65, p = 0,001). Também se concluiu que a EMTr é relativamente bem tolerada pelos pacientes, além de se ter observado um impacto favorável na impressão global dos cuidadores.

Por último, um estudo multi-institucional realizado em Portugal e no Brasil, liderado pela Dra. Sara Vacas e pelo Dr. Florindo Stella, relatou que a EMTr do DLPFC tem um efeito positivo moderado, mas significativo, no comportamento de pacientes com demência, e sem qualquer efeito adverso clínico significativo, o que sugere uma tendência para um bom perfil terapêutico.

Todas estas evidências têm sugerido que a EMTr é relativamente bem tolerada, com um efeito benéfico na cognição, que se traduz numa melhoria funcional clinicamente significativa, e que ajuda a melhorar o comportamento, pelo menos nos primeiros estágios da Doença de Alzheimer, no entanto, mais investigações são necessárias para que esta opção terapêutica seja recomendada na prática clínica.