A aprendizagem motora na reabilitação neurológica

As capacidades motoras são necessárias para as actividades da vida diária e para o desempenho autónomo. Cada pessoa tem as suas capacidades como resultado de um processo de aprendizagem que ocorre pela prática e experiência individual, contudo, após lesões cerebrais no sistema motor é necessário reaprendê-las.

Muitos factores influenciam a capacidade de aprendizagem motora (como a idade, sexo, raça, cultura, estado de saúde ou predisposição genética), no entanto, a neuroreabilitação é uma ferramenta universal que visa ajudar:

  • na manutenção das capacidades remanescentes
  • na reaquisição de capacidades perdidas
  • na aprendizagem de novas capacidades para compensar o défice e alcançar autonomia

Os métodos específicos usados ​​na reabilitação neurológica, e as técnicas de fisioterapia para explorá-la, dependem do objectivo a ser alcançado, geralmente:

Melhorar o controlo postural e de equilíbrio: Não há dúvida de que o exercício físico é uma maneira eficaz de melhorar o equilíbrio em pacientes neurológicos, e essas melhorias podem reduzir o número de quedas. A experiência aponta para uma melhor eficácia dos programas de reabilitação, quando esta inclui exercícios multidimensionais de equilíbrio e controlo postural, bem como técnicas que se apoiam em plataformas de treino dinâmico.

Conseguir andar e melhorar a marcha: A intervenção visa optimizar a marcha, aumentando a força e o controlo muscular, e treinando o ritmo e a coordenação. Isto é conseguido através da combinação de alongamentos, força, carga e prática de caminhada em circuitos estimulantes. Atualmente, existem também métodos mais sofisticados, como o uso de bandas elásticas,  equipamento isocinético, estimulação eléctrica funcional, passadeiras com suspensão, entre outros.

Alcançar, agarrar e manipular: O objectivo final de qualquer abordagem terapêutica para o membro superior é recuperar a função perdida, ou procurar compensar o défice. Diferentes intervenções são utilizadas, tais como:

  • Intervenções direccionadas para a reeducação de défices motores;
  • Estratégias para a recuperação da função, através do treino do movimento, preensão e libertação de objectos;
  • Terapia de restrição do movimento do lado saudável, a fim de desenvolver a função do braço afectado;
  • Aplicação de estimulação eléctrica neuromuscular funcional para potenciar a coerência e o fortalecimento neuromuscular.

Também está demonstrado que as técnicas de estimulação cerebral não invasiva (ECNI) podem modular a actividade cerebral e potenciar a recuperação, facilitando a aprendizagem motora do hemisfério lesionado, uma vez que fortalece e consolida as ligações neuronais recém-formadas pelos treinos de reabilitação.

Em conclusão, apesar das ECNI serem uma ferramenta recente, e em desenvolvimento, demonstram um grande potencial terapêutico de apoio à neuroreabilitação, tendo como principal efeito a facilitação da aprendizagem, ou reaprendizagem, e a consolidação das capacidades motoras.